terça-feira, 8 de março de 2016
Alma Ferida
Alma ferida pelas negras lanças
Da Desgraça, ferida do Destino,
Alma de que a amargura téce o hymno
Sombrio das crueis desesperanças;
Não desças, Alma feita das heranças
Da Dôr, não desças do teu céo divino.
Scintila como o espelho crystalino
Das sagradas, serenas esperanças.
Mesmo na Dôr espera com clemencia
E sóbe á sideral resplandescencia,
Longe de um mundo que só tem peçonha.
Das ruinas de tudo ergue-te pura;
E eternamente, na suprema Altura,
Suspira, soffre, scisma, sente, sonha!
Cruz e Sousa
Alma de Rodenbach
Alma feita de sombra e silêncio, dispersos
Numa grande emoção de saudade perdida,
Que trazes minha vida e meus nervos imersos
Na cadência brumal de tua dor sofrida...
E no exílio de claustro em que vivo esta vida,
Pus-me então a sentir e a rezar os teus versos,
Alma sentimental de angústia dolorida,
Alma feita de sombra e silêncio, dispersos...
É de dentro de tua emoção que eu contemplo
E vejo que tua alma antiga me parece
Um órgão a cantar tôda a vida de um templo!
E, como refletida através de vitrais,
Bruges acinzentada e morta me aparece,
Espelhando o silêncio à tona dos canais...
Rodrigo Otávio Filho
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
A Lenda do Negro D’Água
Conta a lenda que o Negro D'água ou Nego D'água vive em
diversos rios. Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, careca e mãos e pés
de pato, o Negro D'água derruba a canoa dos pescadores, se eles se negarem de
dar um peixe. Em alguns locais do Brasil, ainda existem pescadores que, ao sair
para pescar, levam uma garrafa de cachaça e a jogam para dentro do rio, para
que não tenham sua embarcação virada. Esta é a História bastante comum entre
pessoas ribeirinhas, principalmente na Região Centro-Oeste do Brasil, muito
difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a Lenda do Negro D'Água, ele costuma aparecer para
pescadores e outras pessoas que estão em algum rio. Não se há evidências de
como nasceu esta Lenda, o que se sabe é que o Negro D'Água só habita os rios e
raramente sai dele, seu objetivo seria como amedrontar as pessoas que por ali
passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a
barco, etc. Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de
homem negro alto e forte, com um anfíbio. Apresenta nadadeiras como de um
anfíbio, corpo coberto de escamas mistas com pele.
Fantasma do Martim Cererê
Como toda boa cidade grande, Goiânia também é recheada de
lendas urbanas. Se fala muito de túneis antiaéreos que correriam por baixo do
Centro da cidade, sobre o Teatro Goiânia para abrigar um bunker contra ataques
nucleares e muitas outras coisas. Uma delas é que o Martim Cererê seria
assombrado. O centro cultural abrigava caixas d’água, que após desativadas
foram usadas para torturar presos durante a Ditadura Militar e nem todas
saíram vivas de lá. Funcionários e frequentadores dizem ver constantemente as
almas dos torturados vagando pelos teatros em que se tornaram as antigas caixas
d’água.
Alma de Rodenbach
Alma feita de sombra e silêncio, dispersos
Numa grande emoção de saudade perdida,
Que trazes minha vida e meus nervos imersos
Na cadência brumal de tua dor sofrida...
E no exílio de claustro em que vivo esta vida,
Pus-me então a sentir e a rezar os teus versos,
Alma sentimental de angústia dolorida,
Alma feita de sombra e silêncio, dispersos...
É de dentro de tua emoção que eu contemplo
E vejo que tua alma antiga me parece
Um órgão a cantar tôda a vida de um templo!
E, como refletida através de vitrais,
Bruges acinzentada e morta me aparece,
Espelhando o silêncio à tona dos canais...
Rodrigo Otávio Filho
Alvíssima
Como a Noite, Senhor,é linda
Com seus cabelos de luar...
Não chores mais, Lua bemvinda
Que me fazes também chorar...
Sorrisos do luar d'uma Caveira oca,
Sorrisos do luar enfeitiçando os brejos
Sorrisos do luar a angelizar a boca,
Sorrisos do luar onde escondi meus beijos...
Orações do luar dos lábios de nós ambos,
Orações do luar que os astros não rezaram,
Orações do luar a consagrar os tambos,
Orações do luar, das almas que noivaram.
Cabelos do luar, aveludados, frios,
Cabelos do luar em tranças latescentes;
Cabelos do luar — alvíssimas serpentes,
Cabelos do luar banhando-se nos rios...
Aromas do luar em revoadas francas,
Aromas do luar, a perfumar o céu...
Aromas do luar, sonâmbulos ao léu,
Aromas do luar, por noites todas brancas...
Brancuras do luar dispersas pelos montes...
Brancuras do luar — finos lençois de gelo...
Brancuras do luar, olhai o sete estrelo,
Brancuras do luar, a namorar as fontes...
Veludos do luar tecidos pela lua,
Veludos do luar, de lírios e de rosas...
Veludos do luar, ó vestes preciosas
Veludos do luar vestindo a noite nua...
Trémulos de luar — litanias peregrinas,
Trémulos de luar — ó harmonias cérulas,
Trémulos de luar, nas bocas aspérulas
Trémulos de luar, e lábios das boninas...
Tristezas do luar caindo-nos no peito,
Tristezas do luar, como um dobrar profundo...
Tristezas do luar anestisiando o Mundo,
Tristezas do luar, em lágrimas desfeito...
Lágrimas do luar da Lua aventureira,
Lágrimas do luar, da débil flor dos linhos...
Lágrimas do luar da mágua derradeira,
Lágrimas do luar, de moços e velhimhos...
Saudades do luar, na rama dos ciprestes,
Saudades do luar, há mochos a cantar...
Saudades do luar, são almas a chorar...
Saudades do luar, as podridões agrestes...
Velhinhos corações a verter sangue e máguas,
Velhinhos corações de mocidade negras,
Velhinhos corações — doridas toutinegras,
Velhinhos corações aos tombos pelas frágoas.
Vamos todos pedir à Lua sacrossanta
Na aspiração do Amor, na comunhão do Bem
Que o seu bendito olhar, o seu olhar de Santa,
Nos abençõe agora e para sempre amén!
José Duro
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