segunda-feira, 29 de junho de 2015

À M.S.G.

Beijar o nácar, que te acende os lábios,
seria para mim prazer divino;
mas eu desprezo os risos da fortuna,
que podem profanar o meu destino.

Feliz de mim se repousasse um pouco
sôbre o teu níveo seio que palpita:
mas fere a maldição os meus desejos,
a paz voara e te deixara aflita.

Em silêncio nasceu, cresce em silêncio,
êste amor infinito, único, eterno.
Irei agora, abrindo-te minha alma,
exilar-te do céu, abrir-te o inferno?

Não, oh meu anjo, além escuto o eco
da maldição da nossa sociedade;
ouvi-lo, sem corar, não poderias,
expire pois a nossa felicidade.

Qu'importa o fogo que em meu peito lavra,
qu'mporta a febre que me rói a vida,
se a tua correrá serena e pura,
de prazeres sòmente entretecida?

Roubar teu coração à paz dos anjos,
e nêle despargir os meus amôres,
oh! fôra um crime, um sacrilégio horrível;
para puni-lo não houveram dores.

E, pois, para livrar-te ao precipício,
adeus, meu anjo, fugitivo corro:
rocem embora os teus, os lábios d'outrem,
será breve o penar, porque já morro.

Sim, agonizarei talvez bem pouco,
porque meus dias 'stão pedindo graça,
oh! para possuir-te, afrontaria
infâmias, porém não tua desgraça.

Ao menos ficarás de um crime isenta,
o porvir para ti será de flores;
qu'importa que minha alma se torture,

se tu não sofrerás por meus amôres?

Byron


À Noite

O azul de meus olhos apagou-se nesta noite,
O ouro vermelho de meu coração. Ah, tão quieta ardia a luz!
Teu manto azul envolveu o desfalecente;

Tua boca vermelha confirmou a loucura do amigo.



À Noite

Deixei de insônias cercado
O meu solitário leito
Para vir contar-te, ó noite,
As angústias do meu peito.

Toda de luto trajada,
Tão tristonha como eu,
Teu triste aspecto harmoniza
Coas dores do peito meu.

Se tu velas só na terra,
Chorando teu triste fado,
Quantas lágrimas derrama
Quem é como eu desgraçado!

Se eu vivera num sepulcro
Mais negro que o manto teu,
Tão desgraçado não fora
Coas dores do peito meu.

Aureliano Lessa



sexta-feira, 26 de junho de 2015

O lado negro dos contos de fada - BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES

O conto da Branca de Neve ficou popular através da versão dos Irmãos Grimm (com o nome Little Snow-White), que haviam ouvido a história de duas irmãs chamadas Jeannette e Amali Hassenpflug.

A história: Branca de Neve tinha 7 anos quando provocou a ira da rainha-madrasta por causa de sua beleza. Então a rainha convoca um caçador e pede que leve Branca de Neve para a floresta e a mate, trazendo seus pulmões e seu fígado para provar a morte. O caçador tem pena de Branca de Neve e a deixa fugir, levando pra rainha os órgãos de um javali. Então a rainha come os órgãos.



Enquanto isso, Branca de Neve acha a casa dos anões e em troca de lavar, passar, costurar, limpar e arrumar a casa, eles a deixam ficar.

Ao descobrir que Branca de Neve ainda está viva, a rainha vai até a casa dos anões 3 vezes. Primeiro, ela leva um corpete de seda, e tenta matar a garota apertando o corpete bem forte. Não funciona, então ela volta com um pente envenenado e tenta a matar penteando seus cabelos. Na terceira vez ela vai com a maçã envenenada.


Dessa vez os sete anões chegaram tarde demais e nada fez a Branca de Neve acordar. Como sua aparência ainda era boa e ela tinha bochechas coradas, eles não tiveram coragem de a enterrar e fizeram uma cripta de vidro para ela.

Um dia um príncipe viu a cripta com a princesa e quis comprá-la dos anões. Os anões se recusaram a vendê-la, mas acabaram dando para o príncipe com pena, pois ele pediu muito. O príncipe tinha empregados para carregarem a cripta, mas um deles tropeçou e caiu, derrubando o caixão de vidro. Com a queda, Branca de Neve cuspiu o pedaço de maçã envenenada e voltou à vida.

O príncipe e Branca de Neve planejam então uma festa de casamento e convidam a madrasta má (que não sabe que Branca é a noiva). Enquanto a madrasta se arruma para o casamento, pergunta ao seu espelho quem era a noiva, e o espelho revela Branca estava viva. Ela decide ir ao casamento mesmo assim e fica apavorada quando vê que a noiva realmente era Branca de Neve.


Então, Branca de Neve e o  príncipe colocam um par de sapatos de ferro na brasa e vestem os sapatos na madrasta má, a fazendo dançar até cair morta.









Criança descobre "oração satânica" em livro infantil

A algum tempo atrás uma postagem feita por Janilda Prada causou algumas discussões no Facebok. Janilda postou no seu perfil da rede social um texto, no qual afirmava que sempre havia incentivado seus filhos a lerem, e que recentemente havia comprado um livro para sua filha de 9 anos de idade. Ao ler o livro a filha de Janilda teria encontrado estranhas mensagem, que foram por Janilda interpretadas como "satânicas". Convido a todos a conhecer um pouco melhor essa história e assim tirarem suas próprias conclusões.


O livro que causou todo a discussão é chamado: “A Máquina de Brincar – Para ler no claro e Para ler no escuro”. O livro é distribuído em escolas públicas Brasil afora para alunos do Ensino Fundamental.

A filha de Janilda começou a ler a obra e disse à mãe que havia encontrado algo estranho no livro, na parte do livro que dizia que era para ser “lida no escuro”. Confira mais abaixo o que a garota encontrou:



A Máquina de Brincar”, escrito pelo gaúcho Paulo Bentancur, traz uma série de contos em forma de poema, e entre eles, alguns em que o diabo é mencionado como “um bom parceiro”.





Em entrevista ao Jornal de Brasília, o escritor Paulo Bentancur defendeu sua narrativa e seus personagens. “Quis fazer um livro diferente. As crianças de hoje são inteligentes, gostam de suspense, de figuras lendárias. E qual o problema de brincar com Deus e o diabo? Não faço apologia ao demônio, apenas brinco com o lado bom e o lado mau das coisas”, pontuou.
 
Então meus carros amigos e amigas, qual a opinião de vocês a respeito desse polêmico assunto? Vocês comprariam esse livro para seus filhos?


À Noite

Deixei de insônias cercado
O meu solitário leito
Para vir contar-te, ó noite,
As angústias do meu peito.

Toda de luto trajada,
Tão tristonha como eu,
Teu triste aspecto harmoniza
Coas dores do peito meu.

Se tu velas só na terra,
Chorando teu triste fado,
Quantas lágrimas derrama
Quem é como eu desgraçado!

Se eu vivera num sepulcro
Mais negro que o manto teu,
Tão desgraçado não fora

Coas dores do peito meu.

Aureliano Lessa


À Poesia

Branda aragem do céu que nos revela
D'ignotas flores mística fragrância:
Doce cismar, que a vida embala em sonhos
Como no berço se acalenta a infância;

Flor cultivada pela mão dos anjos
Nesses vergéis aos gênios revelados;
Planta que mirra nos jardins da terra,
Como a flor do sorriso entre os cuidados;

Sombra que foge bela e vaporosa
N'alva da vida difundindo flores;
Astro a girar no azul do firmamento
E sôbre a terra a derramar fulgores.

Filtro que n'alma as dores adormenta,
Anjo do Eden, celeste Poesia!
Dos roseos lábios entre mago aroma
Manas à flux torrentes de harmonia.

Feliz quem de tua alma sorpreendera
Doce arcano às canções melodiosas!
Mas inda mais feliz quem revolvera
Teu belo seio em ondas amorosas!

Que valem o poder, ciência ou glória
Ante um momento de êxtase divino?
Déra as grinaldas de eternal memória,

Para a vida exalar de amor num hino!

Antônio Joaquim Ribas